Ensino Fundamental I   Ensino Fundamental II   Ensino Médio

Samba e Folclore

Leandro Narloch

Um traço do carnaval desde a antiguidade até hoje é o de virar as regras do
avesso.
Durante as festas pagãs na Antiga Roma, que deram origem ao carnaval
cristão, escravos, pobres, senhores e ricos invertiam os papéis sociais,
indo para a rua e festejavam cantando e dançando. Na Idade Média européia o
carnaval liberava as pessoas para criticar os costumes religiosos e a ação
da Igreja Católica; os populares faziam missas e procissões cômicas,
guiando as cerimônias o rei Momo.
No Brasil Império e República as festas de Entrudos eram realizadas nas
ruas e os envolvidos atiravam, uns nos outros, bolas de cera com água,
confete e farinha; a polícia tenta conter os blocos, raramente conseguia.
Na história do samba, no Império e início da República, eram freqüentes
as perseguições aos sambistas que realizassem manifestações de negros, por
isso, suas festas de tocar e dançar, eram escondidas nas vielas das favelas
e fundos de quintal.
Nas festas dos ricos, onde se cantava e dançavam a polca e o fandango
espanhol e português, sempre havia a coreografia e a percussão animada e
sedutora da dança dos negros, tocando o lundus, o samba.
Na época, os chamados sambistas liam partituras de musica, tocavam
instrumentos variados e misturavam ritmos como o tango, o jazz, o maxixe, a
toada, a embolada e as novidades que vinham dos cabarés parisienses.
Pixinguinha e Donga, considerados importantes sambistas (Pelo Telefone e
Carinhoso) começaram a tocar juntos na década de 1910, usando a casa da
baiana Hilária Batista da Silva – a tia Ciata, na Praça onze do Rio de
Janeiro. Ela, vestida com turbante e saia de candomblé, típico das baianas,
vendia quitutes baianos nas ruas e recebia os amigos sambistas à noite e
nos finais de semana.
A casa funcionava à noite como local de encontro para políticos, músicos,
intelectuais, jornalistas: os amigos de samba, um tipo de festa que exigia
criatividade do grupo na composição de musicas e letras, prática de danças
– a dois, com ritmos variados: maxixe – considerado o tango brasileiro,
polcas européias, lundus, música sertaneja - toada, chorinho, sambas. Os
sambistas utilizavam flauta, violão, piano, saxofone.
Em 1919 foi criada por Donga e Pixinguinha a banda Os Oito Batutas para
animar a sala de espera do cine Palais, seus integrantes apresentavam-se
com ternos, sapatos engraxados, camisa social, gravata e chapéu. A banda
esteve na Bélgica, França e Argentina tocando em embaixadas, boates e
teatros, apresentando o samba, o chorinho, marchas, emboladas, maxixe,
toadas.
No final da década de 1920 o governo começou a organizar as festas de
samba, fornecendo recursos financeiros e exigindo que as apresentações dos
sambistas misturassem cultura nacional e popular; as Escolas de Samba
tornaram-se sociedades recreativas civis, devendo criar enredos
homenageando a história do Brasil. As demonstrações dos sambistas passaram
a ser em locais definidos pela policia.
A primeira escola organizada foi a Deixa Falar, que e 1929 desfilou
usando na comissão de frente cavalos da Polícia Militar, nos anos seguintes
teve militares uniformizados como participantes.

Copyright Colégio Borba Gato - Todos os direitos reservados - Desenvolvimento InfoALL